Análise | A Cabana

Nessa segunda (27), tive a oportunidade de assistir ao filme “A Cabana”,  na cabine de imprensa, seguido de uma coletiva com Octavia Spencer.
Baseado no livro A Cabana (The Shack), que tornou-se um best seller desde seu primeiro lançamento, não foi escrito para ser publicado, contou o autor. A história havia sido criada como um presente que Young imprimiu para 15 amigos no Natal de 2005.
Young afirma que muito da história tem a ver com sua própria experiência de vida e que escreveu o livro em uma ocasião que “ele próprio precisava de consolo”.
Veja bem, esse é um ponto muito importante sobre a minha opinião do filme, então guardem essa informação, que será usada mais à frente.
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ATENÇÃO!! As partes que contém spoilers estarão em branco, então selecione o texto se quiser ler com a parte dos spoilers, e para quem não quiser, segue o texto normal.
Para começar a falar do filme, é necessário falar de crenças, todos os tipos, inclusive se você não acreditar.
Eu me considero uma pessoa cética, então sim, cada momento do filme eu questionei, mas sempre que vejo filmes e séries com essa proposta (que foi o caso de The OA, como falei na crítica do meu canal), eu tento abrir minha mente, como se aquilo de fato acontecesse, e me deixo levar pelo filme.
Acontece que eles abusam da boa vontade de quem assiste dessa forma, porque cada coisa que pode acontecer ao decorrer do filme, pode ser facilmente justificado em “é a forma dele ver” ou “não questione os feitos Dele”.
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Octavia Spencer é “Ele”, todo poderoso, e acho interessante falarem que é uma mulher negra (e de muito bom humor, diga-se de passagem), apesar de ser um fato que chama atenção, eu particularmente acho que se você acredita em Deus, cada um deve ver na forma que imagina, pode ser Ele mulher, asiático, barbudo, careca, como cada um achar melhor, não é como se muitos pudessem provar a existência de mesma forma, afinal Deus não está em tudo?
E já que estamos levando esse texto para um lado mais questionável, devemos falar que Amélie Eve (Missy), esteve impecável em seu papel, e fazia questionamentos absurdos aos seus pais sobre existência, bondade/crueldade e citações da bíblia.
“É muito mais fácil aceitarmos questionamentos tão pesados de uma criança, afinal ela está aprendendo, não só isso, nos refletirmos em uma imagem “inocente” e “pura”, nos fazem ouvir sem condenar sem achar um absurdo (Como essa pessoa pode falar isso Dele?)”, disse Octavia Spencer na coletiva.
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O filme te coloca para refletir, principalmente na parte de “playing god”, como somos julgadores, “aquele homem matou, deve morrer também!”, o filme de fato te coloca à refletir seus atos e questionamentos perante à sociedade.
Mas toda essa mensagem pode se atrapalhar no mar de erros do filme, os efeitos visuais são de filme de baixo orçamento, o momento em que ele está no barco e jesus caminha sob a água e estende a mão para ele, é muito mal feito, desde o corte, até a coloração de sobreposição de imagens.
O filme tem um erro grave de passagem de tempo, não é possível distinguir quanto tempo se passou desde a morte de sua filha, só ao ler o livro você sabe que passou mais de um ano, e no filme me dá uma sensação que foi logo em seguida da morte.
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A história é boa, uma situação que qualquer pessoa poderia passar, como a nossa vida pode mudar em segundos, mas o grande defeito do filme, é ele ser um filme.
Como assim? Isso mesmo que você leu, lembra quando te pedi para guardar aquela informação acima? Então, vou tentar explicar da melhor forma possível.
Quando lia aos livros do Harry Potter, por serem fantasiosos, eu gostava de ir ao cinema e ver que imaginei totalmente diferente ou igual do que foi mostrado nas telonas.
Se fizermos uma linha tênue de A Cabana, que é um filme que retrata o paraíso, a casa de Deus e o próprio Deus, ele limita a sua imaginação, você simplesmente deve aceitar que é daquela forma, mesmo que o jardim de Mack seja uma bagunça, porque representa o interno dele, ou seja, para cada um seria diferente, ainda sim mostram detalhes que vão além do lado pessoal e/ou visão dele.
Como o próprio autor disse, o filme partiu de uma experiência pessoal, que mesmo que eu tivesse a mesma experiência, a minha visão seria diferente.
Então por quê eu falo que o grande erro do filme é ser um filme? Porque a história se limita na nossa imaginação, do não ver, do não saber, e não deveria ser reproduzida.
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O filme não fala diretamente comigo, mas eu entendo que fale com outro público, ele talvez falaria com a minha mãe, a minha sogra, que são religiosas, da sua forma e cada uma com sua crença, e que já viveram o inimaginável.
Todos temos o poder de contar uma experiência ruim de nossas vidas, mas poucos são aqueles que realmente tiveram experiências ruins, como é o caso do protagonista, que apanhava do pai, mostrado no início do filme.
A psicologia, num geral, explica que grande parte da nossa personalidade vem dos nossos pais, podendo muitas vezes, fazermos o mesmo percurso ou o caminho oposto e o filme se contradiz nesse aspecto.
Religiosos diriam, que o grande entendimento do filme está após o entendimento da crença, mas pra mim é quase impossível o ser humano perdoar o outro, principalmente depois dele matar sua filha.
Seguir em frente faz parte do processo de um luto, assim como se culpar pelo que aconteceu, mas perdoar nessas circunstâncias são algo muito longe do ser humano assumir dessa forma ou só seguir em frente quando assumir.
O filme tem estréia no Brasil dia 06 de Abril de 2017.
Nota: 6,5/10
Um homem vive atormentado após perder a sua filha mais nova, cujo corpo nunca foi encontrado, mas sinais de que ela teria sido violentada e assassinada são encontrados em uma cabana nas montanhas. Anos depois da tragédia, ele recebe um chamado misterioso para retornar a esse local, onde ele vai receber uma lição de vida.
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